sábado, 13 de fevereiro de 2016

Saúde nacional

Já a concepção anticontagionista defendia o conceito de infecção
como base explicativa para o processo de adoecimento, ou seja, uma doença
era adquirida no local de emanação dos miasmas, sendo impossível a
transmissão por contágio direto. Não é difícil avaliar as consequências de
um debate aparentemente restrito a pressupostos etiológicos. Com efeito,
posições anticontagionistas desempenharam papel decisivo nas propostas
de intervenção sobre ambientes insalubres - águas estagnadas, habitações
populares, concentração de lixo e esgotos - e nas propostas de reforma
urbana e sanitária, nas cidades européias e norte-americanas, durante o
século XIX. bumbum fit22   treino feminino pro
Ainda que seus pressupostos científicos tenham sido avaliados como
equivocados após o advento da bacteriologia, os efeitos positivos da abordagem
ambientalista para a melhoria das condições de saúde têm sido lembrados
por vários estudos (Rosen, 1994; Duffy, 1990; Hochman, 1998). Alguns
autores, entretanto, enfatizam as formas de controle sobre o comportamento
social, as condições de trabalho, de habitação e alimentação das populações
urbanas, indicando o processo normalmente entendido como medicalização
da sociedade (Machado et al., 1978). Associados a pressupostos liberais e
de defesa de reforma social (Ackerkenecht, 1948), ou identificados a posições
de cunho autoritário, à semelhança da forma usual de se analisarem as
teses contagionistas, os infeccionistas (ou anticontagionistas) lideraram importantes
projetos e propostas de reforma sanitária.

Essas posições devem ser vistas, no entanto, como tipos de causalidade neurologia
e não como chaves classificatórias, nas quais devem ser enquadrados pediatria
os médicos. Trata-se de explicações não necessariamente antagônicas, pois,
muitas vezes, um médico atribuía ao contágio a origem de determinada doença,
enquanto explicava outras como consequência de miasmas. O próprio
conceito de neo-hipocratismo tem merecido a atenção de trabalhos recentes
em história da medicina.  psicologia    fisioterapeuta
Neles, o neo-hipocratismo é visto como referência
para concepções que pouco retinham dos fundamentos hipocráticos, a
que recorriam, porém, em seu processo de legitimação (Gadelha, 1995).
Tanto na versão contagionista como na anticontagionista, uma das
características mais marcantes da higiene no período que antecedeu a consagração
da bacteriologia consistia na indeterminação da doença.5 O ar, a
água, as habitações, a sujeira, a pobreza, tudo poderia causá-la. A fluidez do
diagnóstico era acompanhada pela imprecisão terapêutica. Essa característica
também permitia que os higienistas atuassem como tradutores dos mais
diversos interesses.

O estudo de Bruno Latour (1984) sobre a consagração de Louis
Pasteur e da bacteriologia na França traz um argumento pertinente à presente
reflexão. O ponto mais relevante da análise do autor consiste em propor
uma visão alternativa à consagrada em toda uma linha de história da medicina
social. Estudos clássicos como o de George Rosen (1994), por exemplo,
entendem que a bacteriologia teria gerado o abandono das questões sociais
pela saúde pública. Tudo se resumiria à "caça aos micróbios", deslocandose
a observação do meio ambiente físico e social para a experimentação
confinada ao laboratório.

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